quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O BILHETE

O BILHETE

Palmira Chagas

Deolinda esta limpando sua última casa quando o telefone toca. Era Marina, e ela estava aos prantos.
-Deolinda minha amiga, me ajude. Marina soluça do outro lado.
- O que aconteceu amiga? Espera um pouquinho, vou parar de vequiar. Diz Deolinda desligando o aspirador de pó.
-Deolinda, Deixa eu te falar, eu to limpando uma casa de primeira vez, na casa tem um papagaio pequeno todo branquinho que tem um penacho na cabeça. Inicia Marina.
- Um periquito, você quer dizer... corrige Deolinda.
-Não, é um não tão grande como um papagaio nem pequenino como um periquito. Mas deixa eu te falar, a gaiola do bicho estava muito suja e eu resolvi limpar para causar boa impressão, e agora to angustiada, o bicho saiu da gaiola, já to quase uma hora tentando pegá-lo de novo e não consigo! Que que eu faço amiga?
- Como vou saber, Marina? - responde Deolinda.
- Linda você num disse que tem uma ararinha em casa que fica na gaiola e eles soltam de vez em quando? Você num disse que ela voa e sua a casa inteira? Como é que a colocam de volta na gaiola ?
- Marina a ararinha é deles e ela não tem medo de ser pega. Responde Deolinda.
-Me dá uma idéia Deolinda.
Deolinda pensa, está louca para acabar de aspirar a casa e ir embora. Tem que dar alguma ideia pois se não a amiga não vai deixá-la em paz.
-Já tentou jogar uma toalha em cima dela, como se fosse uma rede? Tenta essa que vai dar certo. Deolinda diz isso e desliga o telefone.
Cinco minutos depois o telefone toca novamente. Novamente Marina. Está chorando mais ainda:
-Deolinda fiz o que falou. Peguei uma toalha grande e joguei em cima dela...
- O que aconteceu, pegou a ararinha? Responde Deolinda impaciente.
-Não, mas quebrei três vasos de cristal que estavam numa estante. Com vou fazer agora. Preciso pegar esse passarinho! Vou ter que pagar esses vasos... chora Marina.
-Bem amiga, quando eu morava na roça, em Papucaia... começou Deolinda.
- Ué? Você não disse que era da cidade do Rio? -se espanta Marina.
-Claro que eu sou é que passava as férias na roça com minha a vó que era de lá. Responde Deolinda que quase fora pega na mentira, pois não era natural da cidade dos cariocas.
- Bem minha avó costumava balançar uma vara grande de bambú para derrubar morcegos, pegue o espanador e balance devagar para ver se consegue deruubá-lo. Termina Deolinda e desliga em seguida.
Mais cinco minutos o telefone toca de novo. “ É hoje que não acabo meu serviço!” – Pensa Deolinda atendendo de novo.
- Desculpas, caiu a ligação Marina, mas pode falr, deu certo? Derrubou a ararinha? Pergunta Deolinda.
- Sim derrubei, quebrei um vidro da janela e acertei de cheio da cabeça dela e ela ta agonizando agora no chão. Que que eu faço Deolinda? Eu matei o bicho. Ela tá se debatendo . Ela ta saindo muito sangue. Ela , ela parou de mexer. Morreu!! Morreu Deolinda!!!
Deolinda ficou paralizada.
- O que eu faço?
-Tenta reanimá-la, vai ver que não morreu. Diz Deolinda.
- Tá mortinha Deolinda, meu Deus! Que vou fazer agora.
Foi aí que Deolinda teve uma ideia brilhante:
- Marina, se acalme, limpe os cacos de vidro, faça um bilhete tentando explicar o seguinte...
- Em português?
-Em inglês é claro Marina!
-Mas eu não sei escrever inglês... chorou Marina.
- Eu dito para você, pegue a caneta.
Bem depois de quase 30 minutos o bilhete ficou pronto, foi colocado sobre a mesa da cozinha junto com uma caixinha de sapato contendo a ave morta.

“ Ms Curtiss:
I take off your vase of the glass from stants for clean and I put over the table, when I saw your bird and I think he was very sick. Maybe heart attack. I run to save him and I left down the pots and they is breack, but I understand you love more your pet then vase of glass. I get him out the his house and he was very, very sick. I put him in front me and I pray God to save him. God send a angel and he get well. Very well and he fly over my head right to celling fan, the fan send hin to window and he hit the head and he is died. I think God was saving him, because I was praying but he remember he write before today is the day for his died, and God can change his mine.
Sorry.
Marina”

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