_Mãe o caminhão de lixo passa agora pela manhã, poderia por favor colocar o lixo próximo ao Mail-box? E coloque a caixa de descartável bem próxima ao “lixo grande”.
Tenha um bom dia, estou atrasada.
A mãe de Deolinda se dirigiu para a garagem, pegou os dois “lixos” e colocou próximo ao mail-box. Olhou para a garagem. Como estava suja! Tinha um bocado de lixo espalhado por lá. Resolveu então que assim que todos saíssem para ir para a escola, ela iria limpá-la.
As crianças se foram, e ela armada com uma vassoura foi até a garagem. Notou que o recipiente grande, haviam levado todo o conteúdo, mas que “esqueceram” de levar a caixa com os descartáveis: “ Que absurdo, pensou!”
Entrou na cozinha, o genro lia o jornal e tomava seu café sossegado. Ela entrou reclamando em português, ao que o genro logo pensou: “ Hoje ela tá chateada muito cedo, vai ser um dia daqueles!”
Ela pegou um saco de lixo e saiu. Colocou todo o lixo que encontrou dentro e amarrou o saco, e colocou em cima dos lixos descartáveis. Olhou na esquina, estava vindo o caminhão do lixo. “ Ah... eles notaram que esqueceram de levar o outro lixo e voltaram.”
O empregado parou, viu o enorme saco de lixo comum em cima dos lixos descartáveis, tirou o saco, colocou de lado e foi pegando o restante.
- O que é isso? Tem esse lixo aqui também, disse a mãe de Deolinda, em portugues é claro.
-O empregado, homem inteligente, entendeu e disse que não levava lixo comum, disse em inglês, para vocês verem como a nossa capacidade de comunicação aumenta quando moramos aqui.
- Claro que vão levar! Eu sei que essa sacola não estava aqui de manhã, mas vocês vieram mais cedo e esqueceram de levar tudo, agora voltam, custa levar mais esse?Vai ver que agora estão atrasados e não querem levar mais uma sacola, mas vão levar sim!
Foi falando e pegando o saco de lixo e colocando na caixa de novo. O caminhão estava parado. O empregado tirou o lixo mais uma vez, a mãe de Deolinda o colocou mais uma vez. O empregado tirou e saiu correndo com a caixa, a mãe de Deolinda correu e antes que ele alcançasse o caminhão, colocou o saco de lixo dentro da caixa que ele levava.
O empregado não sabia o que fazer. A velhinha estava nervosa e nisto apareceu o marido de Deolinda na porta da garagem querendo saber o que acontecia. O empregado da compahia de lixo explicou, sua voz estava cheia de angústia. . O marido de Deolinda somente disse “ Sorry” olhando para a mãe de Deolinda disse “ Tudo estar bom”.
-Como está bem? Então eu limpo toda a sua garagem, e este imbecil não quer levar o lixo só porque não estava aqui quando veio buscar na primeira vez, e você acha que tudo está bem? Não! Não está!
O marido de Deolinda virou-lhe as costas e entrou na casa. Sabia que não adiantava discutir com ela .O empregado quando viu que a mãe de Deolinda estava distraída pegou a caixa e rapidamente a esvaziou no caminhão entrou correndo e fez sinal para que o motorista fosse embora.
Nesta horas certamente qualquer um desistiria, menos a mãe de Deolinda, que correu atrás do caminhão e colocou a sacola preta dentro dele, surpreendendo o motorista e o empregado.
Entrou vitoriosa na casa e ainda passou um sabão no genro que agora mascava um palito e lia seu jornal, levantou-se foi a garagem, quando percebeu que a sacola não estava mais na garagem balançou a cabeça, sorriu, e voltou para seu jornal.
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Esta história é real. Foi vivida por minha cunhada e minha filha de 9 anos. Ela solicita limpou minha garagem, e brigou com o caminhão de lixo descartável por não levar o lixo todo. Literalmente correu atras do caminhão e colocou o saco dentro dele. Minha filha sabe muito bem falar ingles, mas como ela estava muito agitada ela ensinada a nãose meter na conversa de adultos, entrou para a cozinha e ficou escondida até que o caminhão fose embora.
CRÔNICAS DA AMÉRICA E OUTRAS HISTÓRIAS
Crônicas de Palmira Chagas, publicadas pela Revista Brasileira " Cia Brasil", os direitos de publicação, cópia etc, devem ser solicitados diretamente pelo e-mail ciabrasil@live.com.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
A EXPOSIÇÃO
“ O que fazer com minha a minha mãe hoje?” Era o problema constante de Deolinda. Em casa ela já provara ser um problema, resolveu então que deveria mandá-la passear com o marido e as crianças. Ouvira dizer que ao lado do Georgia Dome havia uma exposição, assim enviou a mãe, marido e as crianças para lá.
Foram no dia seguinte, as crianças estavam agitadas com o passeio, pois é claro quase não saiam quase nunca. Chegando lá a mãe de Deolinda pediu para ir ao banheiro, o marido e as crianças ficaram esperando, as crianças descobriram uma escada rolante e como era bom andar nela, assim ficaram subindo e descendo na escada. A mãe voltou, procurou as crianças, só viu o genro sentado tranquilamente mastigando um palito como sempre, as crianças estavam chegando pela a escada. O genro se levantou e se dirigiu a escada, as crianças o seguiram, a mãe de Deolinda era a última, e simplesmente impacou no alto da escada rolante, nunca conseguira andar em uma, mesmo quando ia ao Rio. O genro e as crianças, desceram , continuaram a caminhada pela exposição, não perceberam o desespero da mãe de Deolinda, que com as duas mãos no início da escada levava o pé e tirava para desespero dos que estavam atrás dela querendo descer. A fila foi se formando todos falando alguma coisa para ela, que infelizmente estava petrificada no alto da escada.
Neste momento o genro olhou para traz, porque percebeu que estava muito silencio a sua volta. Logo percebeu o que acontecera. Voltou correndo e subiu correndo pelo lado que descia, chegou rapidamente no alto onde estava a sogra. Ao chegar no topo tirou-a da escada e a levou para o lado. Ela estava gelada. O genro não sabia o que fazer. Esperou alguns minutos para a fila terminar, ai lembrou dos cinco meninos que corriam no meio da multidão lá embaixo. Agarrou a sogra pelo braço e a levou para descer de novo. A escada comum ficava longe demais e em pouco tempo não saberia mais onde estaria as crianças. “ Uno, dosss, tresss...” tentou empurrar a sogra para o primeiro degrau. Os meninos desapareciam na multidão. A sogra não se moveu estava agarrada na lateral, contou de novo, nada... Agora viu a menorzinha sumir atras de um quiosque. A situação era de emergência, ele tirou as mãos da sogra, segurou firme , contou até tres e a empurrou com força para primeiro degrau.
A sogra, num gesto desesperado como as pessoas que estão se afogando, agarrou o genro e o levou de escada abaixo, foram segundos de pernas e braços girando, completados com um grande final : uma ponta de saia da sogra que agarrou nos dentes da escada rolante, no último degrau. O genro se levantou e tentou levantá-la, ao fazê-lo percebeu que a sogra estava presa. Que fazer ? Algumas pessoas que tinham descido enquanto a escada funcionava passaram pela lateral, o genro colocou a mão na cabeça! E agora? Até dos filhos se esqueceu.
Enquanto isso as crianças já haviam desaparecido na multidão há muito tempo! O maior tentara liderar a tropa mas os do meio aproveitavam o momento de liberdade, para correrem e brincararem à vontade. O mais velho percebeu que se ficasse ali parado iria perder o melhor da festa, assim segurando a mão da menorzinha, ia de barraquinha em barraquinha pedindo lembranças, principalmente canetas e balas. As pessoas davam para a irmãzinha, e ele muito feliz recebia também. Arranjaram uma sacola e se sentiam o máximo! Os outros estavam cada um por si, um achou um cantor vendendo Cds, pegou um microfone e fez uma dupla com ele, outro encontrou um local onde vendiam livros e alguém distribuindo uns carimbos pequenos de animais para as crianças, entrou na fila várias vezes e conseguiu meia dúzia deles. Depois foi para um cantinho experimentá-los, como não tinha papel, carimbou braços e pernas mesmo. Outro encontrou um local onde faziam exames de saúde pelo computador. Respondeu várias vezes da mesma forma so para ver a impressora funcionar. Saiu de lá com vários papeis com o cálculo de como era saudável. De vez em quando se esbarravam, e era um contando para o outro onde é que estava o melhor da festa.
Enquanto isso a mãe de Deolinda continuara presa na escada, sentado no último degrau. Os seguranças já haviam chegado, ninguém sabia o que fazer. Até que um deles arranjou uma tesoura, mas ao se aproximar da velhinha, esta não permitiu que cortasse a saia de modo nenhum! O tempo ia passando, o genro impaciente, a mãe não permitindo os homens com a tesoura cortarem a saia, até que o genro impaciente deu-lhe um puxão e a levantou a força, a parte trazeira da saia ficou no degrau, e a mãe de Deolinda agora, chorava , envergonhada da situação. O genro rapidamente tirou a camisa e deu para a sogra, mas agora era ele quem estava com o problema pois os seguranças não o queriam sem camisa no local, e por mais que se explicasse, e eles vissem o que acontecera, lei era lei, ninguém sem camisa no local, e o foram empurrando para fora. Então ele lembrou das crianças, virou para a sogra e disse “ sorry” e arrancou de novo a camisa da pobrezinha que procurou um banco para sentar-se. Os seguranças pararam de empurraá-lo para fora, olharam para a velhinha sentada no banco, não sabiam como fazer para lidar com aquela nova situação pois o manual dizia “sem camisa não pode, mas não dizia nada sobre sem a saia ou a metade da saia ”. O genro aproveitou para dizer para a sogra “ my children” e ela permaneceu sentadinha sem saber o que fazer.
Demorou mais de duas horas para encontrar todos os meninos que se divertiam na feira. Haviam comido todas as provas de comidas regionais que puderam conseguir, estavam cansados e felizes. Quando conseguiu reuni-los, voltou onde a sogra que ainda sentada chorando sozinha. Tirou a camisa, os seguranças voltaram, mas desta vez ele não se preocupou pois estava indo embora mesmo.
Bem ao chegarem em casa a mãe foi direto chorar com Deolinda, contar sobre a estupidez do marido dela, as crianças passaram a noite se revesando no banheiro de tanto comer provinhas de comida, e o marido, virou-se para o outro lado da cama e perguntou. “ Quando é que ela vai embora?”
Foram no dia seguinte, as crianças estavam agitadas com o passeio, pois é claro quase não saiam quase nunca. Chegando lá a mãe de Deolinda pediu para ir ao banheiro, o marido e as crianças ficaram esperando, as crianças descobriram uma escada rolante e como era bom andar nela, assim ficaram subindo e descendo na escada. A mãe voltou, procurou as crianças, só viu o genro sentado tranquilamente mastigando um palito como sempre, as crianças estavam chegando pela a escada. O genro se levantou e se dirigiu a escada, as crianças o seguiram, a mãe de Deolinda era a última, e simplesmente impacou no alto da escada rolante, nunca conseguira andar em uma, mesmo quando ia ao Rio. O genro e as crianças, desceram , continuaram a caminhada pela exposição, não perceberam o desespero da mãe de Deolinda, que com as duas mãos no início da escada levava o pé e tirava para desespero dos que estavam atrás dela querendo descer. A fila foi se formando todos falando alguma coisa para ela, que infelizmente estava petrificada no alto da escada.
Neste momento o genro olhou para traz, porque percebeu que estava muito silencio a sua volta. Logo percebeu o que acontecera. Voltou correndo e subiu correndo pelo lado que descia, chegou rapidamente no alto onde estava a sogra. Ao chegar no topo tirou-a da escada e a levou para o lado. Ela estava gelada. O genro não sabia o que fazer. Esperou alguns minutos para a fila terminar, ai lembrou dos cinco meninos que corriam no meio da multidão lá embaixo. Agarrou a sogra pelo braço e a levou para descer de novo. A escada comum ficava longe demais e em pouco tempo não saberia mais onde estaria as crianças. “ Uno, dosss, tresss...” tentou empurrar a sogra para o primeiro degrau. Os meninos desapareciam na multidão. A sogra não se moveu estava agarrada na lateral, contou de novo, nada... Agora viu a menorzinha sumir atras de um quiosque. A situação era de emergência, ele tirou as mãos da sogra, segurou firme , contou até tres e a empurrou com força para primeiro degrau.
A sogra, num gesto desesperado como as pessoas que estão se afogando, agarrou o genro e o levou de escada abaixo, foram segundos de pernas e braços girando, completados com um grande final : uma ponta de saia da sogra que agarrou nos dentes da escada rolante, no último degrau. O genro se levantou e tentou levantá-la, ao fazê-lo percebeu que a sogra estava presa. Que fazer ? Algumas pessoas que tinham descido enquanto a escada funcionava passaram pela lateral, o genro colocou a mão na cabeça! E agora? Até dos filhos se esqueceu.
Enquanto isso as crianças já haviam desaparecido na multidão há muito tempo! O maior tentara liderar a tropa mas os do meio aproveitavam o momento de liberdade, para correrem e brincararem à vontade. O mais velho percebeu que se ficasse ali parado iria perder o melhor da festa, assim segurando a mão da menorzinha, ia de barraquinha em barraquinha pedindo lembranças, principalmente canetas e balas. As pessoas davam para a irmãzinha, e ele muito feliz recebia também. Arranjaram uma sacola e se sentiam o máximo! Os outros estavam cada um por si, um achou um cantor vendendo Cds, pegou um microfone e fez uma dupla com ele, outro encontrou um local onde vendiam livros e alguém distribuindo uns carimbos pequenos de animais para as crianças, entrou na fila várias vezes e conseguiu meia dúzia deles. Depois foi para um cantinho experimentá-los, como não tinha papel, carimbou braços e pernas mesmo. Outro encontrou um local onde faziam exames de saúde pelo computador. Respondeu várias vezes da mesma forma so para ver a impressora funcionar. Saiu de lá com vários papeis com o cálculo de como era saudável. De vez em quando se esbarravam, e era um contando para o outro onde é que estava o melhor da festa.
Enquanto isso a mãe de Deolinda continuara presa na escada, sentado no último degrau. Os seguranças já haviam chegado, ninguém sabia o que fazer. Até que um deles arranjou uma tesoura, mas ao se aproximar da velhinha, esta não permitiu que cortasse a saia de modo nenhum! O tempo ia passando, o genro impaciente, a mãe não permitindo os homens com a tesoura cortarem a saia, até que o genro impaciente deu-lhe um puxão e a levantou a força, a parte trazeira da saia ficou no degrau, e a mãe de Deolinda agora, chorava , envergonhada da situação. O genro rapidamente tirou a camisa e deu para a sogra, mas agora era ele quem estava com o problema pois os seguranças não o queriam sem camisa no local, e por mais que se explicasse, e eles vissem o que acontecera, lei era lei, ninguém sem camisa no local, e o foram empurrando para fora. Então ele lembrou das crianças, virou para a sogra e disse “ sorry” e arrancou de novo a camisa da pobrezinha que procurou um banco para sentar-se. Os seguranças pararam de empurraá-lo para fora, olharam para a velhinha sentada no banco, não sabiam como fazer para lidar com aquela nova situação pois o manual dizia “sem camisa não pode, mas não dizia nada sobre sem a saia ou a metade da saia ”. O genro aproveitou para dizer para a sogra “ my children” e ela permaneceu sentadinha sem saber o que fazer.
Demorou mais de duas horas para encontrar todos os meninos que se divertiam na feira. Haviam comido todas as provas de comidas regionais que puderam conseguir, estavam cansados e felizes. Quando conseguiu reuni-los, voltou onde a sogra que ainda sentada chorando sozinha. Tirou a camisa, os seguranças voltaram, mas desta vez ele não se preocupou pois estava indo embora mesmo.
Bem ao chegarem em casa a mãe foi direto chorar com Deolinda, contar sobre a estupidez do marido dela, as crianças passaram a noite se revesando no banheiro de tanto comer provinhas de comida, e o marido, virou-se para o outro lado da cama e perguntou. “ Quando é que ela vai embora?”
CONFUSÕES NA AMERICA
A mãe de Deolinda chegava naquela manhã chuvosa de Junho. Tinha vindo ficar com a filha “americana” uns dias. Era uma velhinha forte, alegre e falante. Aliás falava alto, não se sabe se pela surdez ou pela cultura do lugar onde vivera toda sua vida.
Tremenda fora a dificuldade das aeromoças com aquela senhora decidida. Deolinda havia encomendado uma cadeira de roda para que pudesse vir em segurança, mas sua mãe não aceitara de jeito nenhum esse tipo de ajuda: “Eu não sou doente! Eu posso andar muito bem.” Agora desvencilhada de todo o staff do avião, segurava o papel que lhe deram para buscar a bagagem, tinha uma letra N. Tinha que pegar o trem, Deolinda dissera isto, e não era difícil, já que viajara muitas vezes de trem para Japeri, quando visitava suas irmãs. “Siga a direção das malas” a aeromoça que falava portugues explicou depois de ajudá-la a passar pela imigração. Entrou no trem muito feliz. Reparou que as estações eram por letras, olhou o papel com a letra N e esperou chegar a de letra N. (TERMINAL NORTE) Só depois de dar 4 voltas é que descobriu que o N não existia. E agora, o que fazer? Bem o jeito era descer em qualquer estação e perguntar. Perguntar como ?
Desceu numa estação onde viu parado um policial. Ela tentou gesticulava e falava em portugues e depois de muito custo, conseguiu que o guarda pegasse o papelzinho em suas mãos e ligasse para a filha, que a esperava apavorada.
No aeroporto foi abraçando o genro, beijando as crianças, falando sem parar sem se importar com o fato deles não entenderem patavinas do que falava. Em casa foi entrando, perguntando onde iria ficar, colocando suas malas no quarto da menorzinha, que a olhava espantada sem saber o que dizer para aquela velhinha sorridente.
Na manhã seguinte, acordou as cinco como fazia no sítio onde morava, e foi logo se dirigindo para cozinha. Procurou o fogão, e não encontrou. Ficou preocupada, como faria o café para seus netos loirinhos? Já os considerava assim. Fez tanto barulho que Deolinda levantou. Logo atrás dela estava o marido, mascando palito tentando arrumar o cabelo que agora já passava dos ombros.
-Deolinda, você cozinha?
-Claro mãe! E mostrou o bonito fogão eletrico que comprara poucos dias antes da mãe chegar.
-Isso parece uma táboa de cortar legumes, fogão com fogo Deolinda. É desses que quero.
A partir daí foi um desastre. A mãe que tentava usar o fogão e queimava-se sempre. Deolinda apresendou as comidas em latas, congeladas, explicou das facilidades que existia aqui, mas a mãe não conseguia entender nem usar as modernidades. Assim transformou a churrasqueira num fogão, e saiu queimando panelas de Deolinda todos os dias.
Durante todo o mês a velhinha só deu trabalho. Tentando aprender a usar o microondas, colocou ovos para cozinhar e eles explodiram, colocou pipocas além do tempo e elas queimaram totalmente, deixando o microondas amarelado. Mas o pior foi a cisma que pegou do marido de Deolinda.
Todos os dias ela fazia a mesma pergunta para Deolinda, queria saber o motivo do cabelo grande do genro. Se não era promessa insistia que cortasse. Tanto falou que o genro passou a entender o que falava. Insistia também para que ele trabalhasse, como ele era aposentado, todos os dias insistia que ele fosse com Deolinda encarar o batente, afinal estava em casa e ficaria com os netos. Tanto fez que o genro entendeu a vontade dela e acabou indo trabalhar mesmo, se não tinha boa vontade pelo menos pelo menos necessidade de ficar longe dela pelo menos umas horas.
Mas o pior ainda estava para vir. A mãe de Deolinda começou a aprender algumas palavras e ingles, coisas simples tipo mãe, pai, avó, minha meu homem mulher. Ela começou a decorar palavras e estava toda orgulhosa de si mesmo num domingo quando foram passear num mall. Estava muito cheio e ela estava feliz brincando com as crianças e vendo as lojas. Não percebeu quando numa loja de roupa perdeu-se do grupo. E agora o que fazer? Entrava de loja em loja e nada. As lojas estavam fechando quando pelo vidro enxergou o genro de cabelos compridos que abominava que sobressaia no meio das roupas masculinas. Tentou entrar, foi barrada. Tinha que dizer o que se passava, precisava falar alguma coisa.
- Mai Men MAI MEN PLISS MAI MEN!
O guarda da porta não entendeu. Fechou a cara. Ela insistiu, bateu no peito e continuou insistindo com o my man. Um grupo de funcionários olhava para ela agora balançando a cabeça. Foi quando o genro a viu desesperada do lado de fora. Foi em direção da porta, explicou o que acontecia meio sem graça. Os empregados não acreditaram pois quando saiu pela porta a sogra o abraçou e beijou efusivamente, de tão alegre que sentia.
Tremenda fora a dificuldade das aeromoças com aquela senhora decidida. Deolinda havia encomendado uma cadeira de roda para que pudesse vir em segurança, mas sua mãe não aceitara de jeito nenhum esse tipo de ajuda: “Eu não sou doente! Eu posso andar muito bem.” Agora desvencilhada de todo o staff do avião, segurava o papel que lhe deram para buscar a bagagem, tinha uma letra N. Tinha que pegar o trem, Deolinda dissera isto, e não era difícil, já que viajara muitas vezes de trem para Japeri, quando visitava suas irmãs. “Siga a direção das malas” a aeromoça que falava portugues explicou depois de ajudá-la a passar pela imigração. Entrou no trem muito feliz. Reparou que as estações eram por letras, olhou o papel com a letra N e esperou chegar a de letra N. (TERMINAL NORTE) Só depois de dar 4 voltas é que descobriu que o N não existia. E agora, o que fazer? Bem o jeito era descer em qualquer estação e perguntar. Perguntar como ?
Desceu numa estação onde viu parado um policial. Ela tentou gesticulava e falava em portugues e depois de muito custo, conseguiu que o guarda pegasse o papelzinho em suas mãos e ligasse para a filha, que a esperava apavorada.
No aeroporto foi abraçando o genro, beijando as crianças, falando sem parar sem se importar com o fato deles não entenderem patavinas do que falava. Em casa foi entrando, perguntando onde iria ficar, colocando suas malas no quarto da menorzinha, que a olhava espantada sem saber o que dizer para aquela velhinha sorridente.
Na manhã seguinte, acordou as cinco como fazia no sítio onde morava, e foi logo se dirigindo para cozinha. Procurou o fogão, e não encontrou. Ficou preocupada, como faria o café para seus netos loirinhos? Já os considerava assim. Fez tanto barulho que Deolinda levantou. Logo atrás dela estava o marido, mascando palito tentando arrumar o cabelo que agora já passava dos ombros.
-Deolinda, você cozinha?
-Claro mãe! E mostrou o bonito fogão eletrico que comprara poucos dias antes da mãe chegar.
-Isso parece uma táboa de cortar legumes, fogão com fogo Deolinda. É desses que quero.
A partir daí foi um desastre. A mãe que tentava usar o fogão e queimava-se sempre. Deolinda apresendou as comidas em latas, congeladas, explicou das facilidades que existia aqui, mas a mãe não conseguia entender nem usar as modernidades. Assim transformou a churrasqueira num fogão, e saiu queimando panelas de Deolinda todos os dias.
Durante todo o mês a velhinha só deu trabalho. Tentando aprender a usar o microondas, colocou ovos para cozinhar e eles explodiram, colocou pipocas além do tempo e elas queimaram totalmente, deixando o microondas amarelado. Mas o pior foi a cisma que pegou do marido de Deolinda.
Todos os dias ela fazia a mesma pergunta para Deolinda, queria saber o motivo do cabelo grande do genro. Se não era promessa insistia que cortasse. Tanto falou que o genro passou a entender o que falava. Insistia também para que ele trabalhasse, como ele era aposentado, todos os dias insistia que ele fosse com Deolinda encarar o batente, afinal estava em casa e ficaria com os netos. Tanto fez que o genro entendeu a vontade dela e acabou indo trabalhar mesmo, se não tinha boa vontade pelo menos pelo menos necessidade de ficar longe dela pelo menos umas horas.
Mas o pior ainda estava para vir. A mãe de Deolinda começou a aprender algumas palavras e ingles, coisas simples tipo mãe, pai, avó, minha meu homem mulher. Ela começou a decorar palavras e estava toda orgulhosa de si mesmo num domingo quando foram passear num mall. Estava muito cheio e ela estava feliz brincando com as crianças e vendo as lojas. Não percebeu quando numa loja de roupa perdeu-se do grupo. E agora o que fazer? Entrava de loja em loja e nada. As lojas estavam fechando quando pelo vidro enxergou o genro de cabelos compridos que abominava que sobressaia no meio das roupas masculinas. Tentou entrar, foi barrada. Tinha que dizer o que se passava, precisava falar alguma coisa.
- Mai Men MAI MEN PLISS MAI MEN!
O guarda da porta não entendeu. Fechou a cara. Ela insistiu, bateu no peito e continuou insistindo com o my man. Um grupo de funcionários olhava para ela agora balançando a cabeça. Foi quando o genro a viu desesperada do lado de fora. Foi em direção da porta, explicou o que acontecia meio sem graça. Os empregados não acreditaram pois quando saiu pela porta a sogra o abraçou e beijou efusivamente, de tão alegre que sentia.
O VISTO
Não! A mãe de Deolinda não sabia o que fazer com tantas informações, opiniões, rezas e até simpatias. Tudo começara no dia que decidira tentar um visto para ver a filha na América! Nunca pensara que fosse tanta confusão. A Tia de Marina, aquela que tinha um bom emprego Federal, resolvera ir junto para ver como o filho estava se virando, Deolina fizera as conecções pois sabia que a mãe tinha pavor de pensar em viajar sozinha, assim as duas viriam juntas.
Enquanto viajava num ônibus parador para Niterói, ela raciocinava: “ Um me diz que eu não posso mentir porque eles tem como saber que eu estou mentindo, mas a Tia de Marina me disse quer não posso dizer que tenho filha na América pois senão, vão pensar que vou morar lá, e foi ela quem preencheu os papeis no computador e enviou para mim. O meu sobrinho que já mora lá há um tempão me disse que não tem problema eles saberem de Deolinda, eu tenho que dizer que meu sítio é uma fazenda com gado, cabritos e uma granja e que vale muito dinheiro. Ele disse que não posso dizer que Deolinda é faxineira, tenho que dizer que é empresária, que tem empregados, que só manda, não faz nada, gerencia, essa é a palavra que estava esquecendo, gerencia tudo.... Ai meu Deus! O que vou dizer?”
Chegou lá pelas 9 da manhã, a filha mais nova estava com ela, e conseguiu fazer tudo direito, pagou as taxas pegaram a senha e ficaram esperando, quando mais esperava, mais opiniões ouvia. Por fim chegou sua vez. Estava com tudo num envelope separado. A escritura da “fazenda” que o primo da cunhada da filha do meio, que tinha um irmão que trabalhava no cartório, pedira para fazer uma pequena alteração na quantidade dos acres, tinha decorado tudinho. O extrato bancário tinha uma pequena fortuna que todo mundo ajudou a crescer emprestando um pouquinho. Quando a chamaram ela gelou.
O Consul fez cara de pouco caso. Bem que Deolinda avisara que eles iriam fazer isso. Sentiu-se humilhada. Havia feito as unhas das mãos com recomendara Deolinda, o Consul ficara olhando suas mãos quando entregara o papel, não podia disfarçar a artrite que já estava adiantada nem tão pouco podia melhorar as unhas que estavam grossas com fungos. O consul levantou os olhos e perguntou:
- A senhora tem parentes que moram lá?
Ela gelou. Não conseguia lembrar de nada do que haviam instruído.
- A SENHORA TEM ALGUM PARENTE LÁ? Falou impaciente o consul.
- Sim eu tenho minha filha.
-Mas o seu papel diz que a senhora não tem nenhum parente seu morando lá!
- Meu senhor, papel é papel e pode estar errado, eu não posso errar porque eu sei o que estou falando e minha filha mora lá , tá casada com um americano igual ao senhor, fala inglês, e é empresária da faxina.
- O consul se assustou com a resposta tão pronta e tão clara. Quer dizer então que a sua filha é legal?
- Ela é super legal! Uma pessoa muito bacana mesmo. Acho que foi por isso que casou tão cedo com um americano. Muito simpática e muito trabalhadeira.
- Se a sua filha é legal porque é faxineira? Americanos podem arrumar outro emprego melhor.
- Meu senhor, se ela escolheu ser faxineira é porque deve de dar muito dinheiro. Minha filha é esperta e não escolheria uma profissão só para posar de bacana. Ela tá rica, muito rica, o Senhor vai ou não vai me dar esse visto? Já disse tudo que sei, tenho que voltar para meu sítio e trabalhar, saí muito cedo hoje.
- Mas aqui consta que a senhora tem uma fazenda.
-Fazenda? Tô vendo que esse povo que faz coisa no computador só faz coisa errada, eu tenho um sítio senhor. S I T I O entendeu? Para chegar a fazenda falta muito, o pessoal da cidade, quando vai por lá pensa mesmo que é fazenda, mas não é não senhor, é apenas um sitio. Decide logo porque eu não tenho tempo a perder.
O consul ficou em silêncio por um momento. Na sua mão tinha uma ficha dizendo que essa senhora não tinha parentes nos Estados Unidos, e que era fazendeira com muito dinheiro no banco, mas a senhora a sua frente falara tão francamente que ele entendera tudo. Quem preenchera a ficha ocultara muita coisa, mas aquela senhora era honesta demais para mentir.
-Quanto tempo a senhora pretende ficar por lá?
- Só uns meses. Uns três, minha filha disse que lá no inverno é muito frio e eu não suporto frio.
- O seu passaporte será enviado pelo correio com o seu visto. Parabéns!
- Obrigado Senhor, mãs hoje não é meu aniversário.
O consul riu e balançou a cabeça.
A tia de Marina foi também ao consulado de Brasilia. Muito bem arrumada, disse que não tinha parentes e que não conhecia ninguém. O Consul somente disse.
- A senhora está com algum problema de memória, pois aqui consta que seu filho mora em Atlanta e tem conta no Bank Of América. A senhora não acha que está muito idosa para mentir?
Bem, Alguns sempre me dizem que cabeça de consul é como bumbum de nenem, nunca se sabe o que vem, mas eu digo, o melhor caminho sempre será a verdade.
Enquanto viajava num ônibus parador para Niterói, ela raciocinava: “ Um me diz que eu não posso mentir porque eles tem como saber que eu estou mentindo, mas a Tia de Marina me disse quer não posso dizer que tenho filha na América pois senão, vão pensar que vou morar lá, e foi ela quem preencheu os papeis no computador e enviou para mim. O meu sobrinho que já mora lá há um tempão me disse que não tem problema eles saberem de Deolinda, eu tenho que dizer que meu sítio é uma fazenda com gado, cabritos e uma granja e que vale muito dinheiro. Ele disse que não posso dizer que Deolinda é faxineira, tenho que dizer que é empresária, que tem empregados, que só manda, não faz nada, gerencia, essa é a palavra que estava esquecendo, gerencia tudo.... Ai meu Deus! O que vou dizer?”
Chegou lá pelas 9 da manhã, a filha mais nova estava com ela, e conseguiu fazer tudo direito, pagou as taxas pegaram a senha e ficaram esperando, quando mais esperava, mais opiniões ouvia. Por fim chegou sua vez. Estava com tudo num envelope separado. A escritura da “fazenda” que o primo da cunhada da filha do meio, que tinha um irmão que trabalhava no cartório, pedira para fazer uma pequena alteração na quantidade dos acres, tinha decorado tudinho. O extrato bancário tinha uma pequena fortuna que todo mundo ajudou a crescer emprestando um pouquinho. Quando a chamaram ela gelou.
O Consul fez cara de pouco caso. Bem que Deolinda avisara que eles iriam fazer isso. Sentiu-se humilhada. Havia feito as unhas das mãos com recomendara Deolinda, o Consul ficara olhando suas mãos quando entregara o papel, não podia disfarçar a artrite que já estava adiantada nem tão pouco podia melhorar as unhas que estavam grossas com fungos. O consul levantou os olhos e perguntou:
- A senhora tem parentes que moram lá?
Ela gelou. Não conseguia lembrar de nada do que haviam instruído.
- A SENHORA TEM ALGUM PARENTE LÁ? Falou impaciente o consul.
- Sim eu tenho minha filha.
-Mas o seu papel diz que a senhora não tem nenhum parente seu morando lá!
- Meu senhor, papel é papel e pode estar errado, eu não posso errar porque eu sei o que estou falando e minha filha mora lá , tá casada com um americano igual ao senhor, fala inglês, e é empresária da faxina.
- O consul se assustou com a resposta tão pronta e tão clara. Quer dizer então que a sua filha é legal?
- Ela é super legal! Uma pessoa muito bacana mesmo. Acho que foi por isso que casou tão cedo com um americano. Muito simpática e muito trabalhadeira.
- Se a sua filha é legal porque é faxineira? Americanos podem arrumar outro emprego melhor.
- Meu senhor, se ela escolheu ser faxineira é porque deve de dar muito dinheiro. Minha filha é esperta e não escolheria uma profissão só para posar de bacana. Ela tá rica, muito rica, o Senhor vai ou não vai me dar esse visto? Já disse tudo que sei, tenho que voltar para meu sítio e trabalhar, saí muito cedo hoje.
- Mas aqui consta que a senhora tem uma fazenda.
-Fazenda? Tô vendo que esse povo que faz coisa no computador só faz coisa errada, eu tenho um sítio senhor. S I T I O entendeu? Para chegar a fazenda falta muito, o pessoal da cidade, quando vai por lá pensa mesmo que é fazenda, mas não é não senhor, é apenas um sitio. Decide logo porque eu não tenho tempo a perder.
O consul ficou em silêncio por um momento. Na sua mão tinha uma ficha dizendo que essa senhora não tinha parentes nos Estados Unidos, e que era fazendeira com muito dinheiro no banco, mas a senhora a sua frente falara tão francamente que ele entendera tudo. Quem preenchera a ficha ocultara muita coisa, mas aquela senhora era honesta demais para mentir.
-Quanto tempo a senhora pretende ficar por lá?
- Só uns meses. Uns três, minha filha disse que lá no inverno é muito frio e eu não suporto frio.
- O seu passaporte será enviado pelo correio com o seu visto. Parabéns!
- Obrigado Senhor, mãs hoje não é meu aniversário.
O consul riu e balançou a cabeça.
A tia de Marina foi também ao consulado de Brasilia. Muito bem arrumada, disse que não tinha parentes e que não conhecia ninguém. O Consul somente disse.
- A senhora está com algum problema de memória, pois aqui consta que seu filho mora em Atlanta e tem conta no Bank Of América. A senhora não acha que está muito idosa para mentir?
Bem, Alguns sempre me dizem que cabeça de consul é como bumbum de nenem, nunca se sabe o que vem, mas eu digo, o melhor caminho sempre será a verdade.
A MAE DE DEOLINDA
Num lugar distante nas terras do Brasil, mas especificadamente em Papucaia, na subida da serra de Friburgo, interior do Rio de Janeiro, num sítio pequeno, uma senhora de cabelos brancos se levanta às cinco da manhã para cumprir sua rotina diária. Rotina simples, cuidar da casa, do marido, das galinhas, patos e porcos, da horta. Mais tarde quando o sol já está quente, uma das filhas passa pela casa deixando os filhos para que ela tome conta. Ela é doméstica, em Itaboraí, ganha o salário mínimo, Não teve sorte a coitadinha. Deolinda sim, teve coragem de ir mais longe, Sua Lindinha era uma faxineira bem sucedida na América!
Gosta de conversar com os vizinhos quando vai a cidadezinha próxima, o tema central é sempre sua filha mais velha, Deolinda, a que casou com americano, que tem cinco filhos, que tem uma empresa de faxina de primeira, que está rica, muito rica. A maioria das amigas morrem de inveja das coisas que Deolinda manda pelo correio: uma panelinha de fazer arroz, que nunca usou porque ninguém conseguiu entender as instruções, umas espátulas de silicone, uma lanterna que não precisa de pilha, só sacudir durante um tempo para que funcione. Mas o que mais gostou mesmo foi do abridor de lata vermelho, muito melhor do que o que possuía anteriormente. Deolinda também enviou uma cebola, tomate, limão e metade de uma banana de plástico, dizendo que era para guardar o restinho dessas coisas na geladeira. Imagina! Guardar metade de uma banana de um tomatecom tantas bananas e tomates no quintal, que coisa mais ridícula! Esses americanos devem passar muita necessidade pois comem somente a metade de uma banana de cada vez! Deve ser por causa da neve, banana não gosta de frio, pensa sorrindo.
Deolinda reclamara que não comia uma manga gostosa fazia anos, assim sua mãe foi ao correio com uma caixa para enviar, não permitiram é claro. Falaram de algumas regras que impediam de enviar sementes para outro país. Coitadinha da filha, iria ter que esperar até vir ao Brasil.
Para as vizinhas, gostava de mostrar suas roupas, lindas, com muito brilho e miçangas, Deolinda devia ter gastado uma fortuna comprando tudo aquilo. Tudo vinha de uma botique chamada “Trift Store”.
Deolinda escrevia muitas cartas, mandava cartões, mandava fotos da familia. Um dos últimos que escrevera era o ela mais gostava de ler era o que dizia: “ Mãe: estou aprendendo muita coisa por aqui, mas o que mais aprendi é que você deve ter tido muito trabalho com seus 7 filhos. Tenho cinco e tem sido muito difícil! Quando um quer algo o outro não quer, às vezes todos falam ao mesmo tempo, fico muito confusa com muita coisa ainda. Mas fico emocionada quando me chamam de mãe. A menorzinha me abraça apertado, aprendeu isso comigo, americano não tem muito desse negócio de beijos e abraços. Ela me diz, mon please tell me a history. Ai eu conto as histórias que você me contava. Ela me beija e dorme feliz.Vai se preparando mãe, quero que venha passar um tempo comigo aqui.”
Lia e relia a carta mas sempre pensava como iria conseguir fazer a viagem sozinha. Bem sua filha com certeza iria providenciar tudo. Todas as cartas já estavam ficando desbotadas de tanto ler e exibi-las, estavam guardadas numa caixinha e nas tardes sentada na varanda, olhando o horizonte gostava de pegar uma por uma, beijar uma por uma, assim a saudade que sentia de Deolinda passava um pouco, sim sentia muita falta desta filha tão boa e dedicada, olhava as fotos, beijava as fotos falava com as fotos e se sentia melhor. Sentia como se um pedacinho da filha estivesse ali, em cada rabisco, sentia seu cheiro nas folhas escritas, muitas vezes acabava adormecendo abraçada na caixinha.
....................................................................................................................................................................... Estamos no mês das mães, escreva para sua. Sim escreva. Eu sei que estamos na era dos email, das fotos digitalizadas, dos telefonemas apressados. Mas escreva numa folha de papel a moda antiga, compre um lindo cartão e escreva. As cartas significam muito para as pessoas de idade, fotos significam mais ainda. As mães podem sentir os filhos através delas. Conte qualquer coisas, fale qualquer coisa, e depois não se esqueça de dizer que a ama, dê a sua mãe esperança de lhe ver novamente, dê a sua mãe motivos para se orgulhar por ter um filho tão longe de sua terra natal.
Feliz dia das mães!
Gosta de conversar com os vizinhos quando vai a cidadezinha próxima, o tema central é sempre sua filha mais velha, Deolinda, a que casou com americano, que tem cinco filhos, que tem uma empresa de faxina de primeira, que está rica, muito rica. A maioria das amigas morrem de inveja das coisas que Deolinda manda pelo correio: uma panelinha de fazer arroz, que nunca usou porque ninguém conseguiu entender as instruções, umas espátulas de silicone, uma lanterna que não precisa de pilha, só sacudir durante um tempo para que funcione. Mas o que mais gostou mesmo foi do abridor de lata vermelho, muito melhor do que o que possuía anteriormente. Deolinda também enviou uma cebola, tomate, limão e metade de uma banana de plástico, dizendo que era para guardar o restinho dessas coisas na geladeira. Imagina! Guardar metade de uma banana de um tomatecom tantas bananas e tomates no quintal, que coisa mais ridícula! Esses americanos devem passar muita necessidade pois comem somente a metade de uma banana de cada vez! Deve ser por causa da neve, banana não gosta de frio, pensa sorrindo.
Deolinda reclamara que não comia uma manga gostosa fazia anos, assim sua mãe foi ao correio com uma caixa para enviar, não permitiram é claro. Falaram de algumas regras que impediam de enviar sementes para outro país. Coitadinha da filha, iria ter que esperar até vir ao Brasil.
Para as vizinhas, gostava de mostrar suas roupas, lindas, com muito brilho e miçangas, Deolinda devia ter gastado uma fortuna comprando tudo aquilo. Tudo vinha de uma botique chamada “Trift Store”.
Deolinda escrevia muitas cartas, mandava cartões, mandava fotos da familia. Um dos últimos que escrevera era o ela mais gostava de ler era o que dizia: “ Mãe: estou aprendendo muita coisa por aqui, mas o que mais aprendi é que você deve ter tido muito trabalho com seus 7 filhos. Tenho cinco e tem sido muito difícil! Quando um quer algo o outro não quer, às vezes todos falam ao mesmo tempo, fico muito confusa com muita coisa ainda. Mas fico emocionada quando me chamam de mãe. A menorzinha me abraça apertado, aprendeu isso comigo, americano não tem muito desse negócio de beijos e abraços. Ela me diz, mon please tell me a history. Ai eu conto as histórias que você me contava. Ela me beija e dorme feliz.Vai se preparando mãe, quero que venha passar um tempo comigo aqui.”
Lia e relia a carta mas sempre pensava como iria conseguir fazer a viagem sozinha. Bem sua filha com certeza iria providenciar tudo. Todas as cartas já estavam ficando desbotadas de tanto ler e exibi-las, estavam guardadas numa caixinha e nas tardes sentada na varanda, olhando o horizonte gostava de pegar uma por uma, beijar uma por uma, assim a saudade que sentia de Deolinda passava um pouco, sim sentia muita falta desta filha tão boa e dedicada, olhava as fotos, beijava as fotos falava com as fotos e se sentia melhor. Sentia como se um pedacinho da filha estivesse ali, em cada rabisco, sentia seu cheiro nas folhas escritas, muitas vezes acabava adormecendo abraçada na caixinha.
....................................................................................................................................................................... Estamos no mês das mães, escreva para sua. Sim escreva. Eu sei que estamos na era dos email, das fotos digitalizadas, dos telefonemas apressados. Mas escreva numa folha de papel a moda antiga, compre um lindo cartão e escreva. As cartas significam muito para as pessoas de idade, fotos significam mais ainda. As mães podem sentir os filhos através delas. Conte qualquer coisas, fale qualquer coisa, e depois não se esqueça de dizer que a ama, dê a sua mãe esperança de lhe ver novamente, dê a sua mãe motivos para se orgulhar por ter um filho tão longe de sua terra natal.
Feliz dia das mães!
O CASO DA CUECA
O CASO DA CUECA
O telefone toca. Era Marina.
- O que aconteceu?
-Tem um tempinho para me ouvir? Preciso de sua ajuda. Por favor, me encontre hoje a tarde na “nossa” loja brasileira.
Naquela tarde as duas se encontraram. Depois de alguns pães de queijo e guaraná Deolinda ficou sabendo o problema de sua amiga. É que um primo viera do Brasil. Ele e a esposa estavam já instalados por mais de um mês na casa de Marina. Era um tipo folgado, que não gostava de trabalhar, e que nunca conhecera dificuldades no Brasil, Pai funcionário de Banco do Brasil, e mãe fiscal de rendas. O infeliz nunca trabalhara e a mãe o convencera de vir para a América tentar a vida. Na verdade Deolinda chegara a conclusão de que os pais queriam se livrar dele.
Marina também contara que os dois não trabalhavam, porque não sabiam inglês, que estavam fazendo um cursinho a noite que duraria uns dois anos, e que pretendiam trabalhar depois que terminassem o curso. A tia pelo telefone exigia que eles trabalhassem como Marina, só que eles espelhados no esposo americano de Marina, aquele que só vivia doente e desempregado, não queriam fazer nada. Ela então cortara a mesada, e nem assim os dois tomaram jeito, pelo contrário, comiam todo o yogurt do menino, tudo que se comprava ia num segundo. Não havia dinheiro suficiente para nada.
Nesta altura Deolinda ficara exaltada e disse para Marina expulsar os dois. A amiga explicou que não podia fazer isso pois fora os tios que ajudaram a vir para cá, e que ela jamais poderia fazer isso com uma tia que a vida toda ajudara sua mãe no Brasil, que por sinal ela e os irmãos eram pobres, e somente essa tia havia estudado, prestado concurso e vivia bem. Que ela tinha um coração de ouro e ajudava toda a família, mas que infelizmente o filho único era um “estragado”.
Mas não tinha acabado. O primo tipo folgado e bonitão, passava a tarde toda malhando no pequeno ginásio do condomínio, a prima ficava em casa, não gostava de malhar, ficava então com o esposo de Marina, e nas últimas semanas Marina percebera que o esposo não estava mais interessado nela, como antes, que fazer? E os dois estavam fazendo caminhadas toda tarde pelo condomínio, e pior o primo não se importava! Não queria perder o marido porque o amava muito, e é claro, ainda não era cidadã americana.
Depois de Deolinda pensar um pouco disse:
- Minha querida seu problema é sério. Você não pode expulsá-los, e esta seria a solução.
Assim não sei o que te dizer...
- Uma amiga minha Jamaicana, arrematou Marina, disse que conhece uma simpatia que poderia me ajudar. Disse que tenho que pegar uma cueca suja de meu marido e uma calcinha minha, amarrar as duas com nó bem apertado por sete dias. Eu não sei se devo fazer isso.
- Marina, não custa nada tentar. Sinceramente eu realmente só tenho uma coisa a dizer para você, eu os expulsaria sendo filho ou não de minha tia predileta. Pense bem, agora você está sustentando quatro: Marido, filho, primo e esposa do primo, não acha que está passando dos limites? Olha eu vim para cá ficar com uns primos, mas nem de perto me passou pela cabeça fazer o que esses seus primos fazem. Eu trabalhava direto, me escravizaram. Tudo era descontado no meu salário de ajudante, sofri demais, um dia até fui acusada de estar roubando coisas em uma casa e tive que me despir diante do primo para provar que eu não estava levando nada. Fui demitida depois disso. Fiquei na rua mesmo, só eu sei o que passei. Amiga, você tem que decidir o que vai fazer. Leve-a para trabalhar com você.
- Trabalhar? Marina, a infeliz nem quer olhar meu filho em casa, para eu economizar o dinheiro da creche. Eu pedi isso pois tá difícil para mim, e ela perguntou quanto que eu pagava na creche, quando eu disse que era 35 dolares a diária dele na creche e ela me disse que não ficaria por menos de 50 dolares, e de graça, nem pensar!
-Minha querida então vai com a sua simpatia, aproveite e coloque umas vassouras atrás da porta, você tem que tentar qualquer coisa.
Dizendo isso foi se levantando para ir embora, morava longe e tinha muita coisa para fazer, além disso o marido já ligara 3 vezes.
Um mês depois o telefone toca. Marina outra vez, desta vez chorando muito. Ela fizera tudo direitinho. Pegara as roupas íntimas as amarrara bem, com nós bem apertados, depois dos sete dias começou a perceber que o primo a olhada de maneira estranha, que a assediava constantemente. No último domingo aproveitara a saída da esposa com o marido de Marina para declarar seu amor e beijá-la a força na cozinha. Infelizmente a prima e o marido voltaram de repente para pegar alguma coisa, e pegara o primo “na boca da botija”
Fora um escândalo. O Marido da Marina pegou uma arma que tinha em casa e ameaçou matar o primo. Assim o primo fora expulso da casa dela, mas a mulher do primo não! O marido de Marina a consolar porque a coitadinha chorava desesperada e precisava de um ombro amigo. E o marido de Marina estava atencioso com ela também, será que era porque a amava ou porque estava com medo de perder o sustento? Nem queria pensar nisto!
A principio ela não entendeu nadinha do que tinha acontecido com o primo. No dia seguinte, no entanto, pegou a prima colocando algumas cuecas na lavanderia, cuecas do seu marido americano, ao pedir explicações a prima disse que quando não tinha tempo para lavar as do ex-marido, já o considerava ex, ele pegava emprestado com o marido de Marina que não se importava. Afinal, a gaveta estava cheia e ele não era muito chegado a banho mesmo!
As prantos Marina terminou dizendo que devia ter se certificado que a cueca era a certa, agora precisava de alguma coisa para quebrar o efeito dessa simpatia maluca pois o primo não parava de ligar, e encontrar um meio de se desfazer da esposa do primo, que agora vivia chorando no ombro de seu marido!
O telefone toca. Era Marina.
- O que aconteceu?
-Tem um tempinho para me ouvir? Preciso de sua ajuda. Por favor, me encontre hoje a tarde na “nossa” loja brasileira.
Naquela tarde as duas se encontraram. Depois de alguns pães de queijo e guaraná Deolinda ficou sabendo o problema de sua amiga. É que um primo viera do Brasil. Ele e a esposa estavam já instalados por mais de um mês na casa de Marina. Era um tipo folgado, que não gostava de trabalhar, e que nunca conhecera dificuldades no Brasil, Pai funcionário de Banco do Brasil, e mãe fiscal de rendas. O infeliz nunca trabalhara e a mãe o convencera de vir para a América tentar a vida. Na verdade Deolinda chegara a conclusão de que os pais queriam se livrar dele.
Marina também contara que os dois não trabalhavam, porque não sabiam inglês, que estavam fazendo um cursinho a noite que duraria uns dois anos, e que pretendiam trabalhar depois que terminassem o curso. A tia pelo telefone exigia que eles trabalhassem como Marina, só que eles espelhados no esposo americano de Marina, aquele que só vivia doente e desempregado, não queriam fazer nada. Ela então cortara a mesada, e nem assim os dois tomaram jeito, pelo contrário, comiam todo o yogurt do menino, tudo que se comprava ia num segundo. Não havia dinheiro suficiente para nada.
Nesta altura Deolinda ficara exaltada e disse para Marina expulsar os dois. A amiga explicou que não podia fazer isso pois fora os tios que ajudaram a vir para cá, e que ela jamais poderia fazer isso com uma tia que a vida toda ajudara sua mãe no Brasil, que por sinal ela e os irmãos eram pobres, e somente essa tia havia estudado, prestado concurso e vivia bem. Que ela tinha um coração de ouro e ajudava toda a família, mas que infelizmente o filho único era um “estragado”.
Mas não tinha acabado. O primo tipo folgado e bonitão, passava a tarde toda malhando no pequeno ginásio do condomínio, a prima ficava em casa, não gostava de malhar, ficava então com o esposo de Marina, e nas últimas semanas Marina percebera que o esposo não estava mais interessado nela, como antes, que fazer? E os dois estavam fazendo caminhadas toda tarde pelo condomínio, e pior o primo não se importava! Não queria perder o marido porque o amava muito, e é claro, ainda não era cidadã americana.
Depois de Deolinda pensar um pouco disse:
- Minha querida seu problema é sério. Você não pode expulsá-los, e esta seria a solução.
Assim não sei o que te dizer...
- Uma amiga minha Jamaicana, arrematou Marina, disse que conhece uma simpatia que poderia me ajudar. Disse que tenho que pegar uma cueca suja de meu marido e uma calcinha minha, amarrar as duas com nó bem apertado por sete dias. Eu não sei se devo fazer isso.
- Marina, não custa nada tentar. Sinceramente eu realmente só tenho uma coisa a dizer para você, eu os expulsaria sendo filho ou não de minha tia predileta. Pense bem, agora você está sustentando quatro: Marido, filho, primo e esposa do primo, não acha que está passando dos limites? Olha eu vim para cá ficar com uns primos, mas nem de perto me passou pela cabeça fazer o que esses seus primos fazem. Eu trabalhava direto, me escravizaram. Tudo era descontado no meu salário de ajudante, sofri demais, um dia até fui acusada de estar roubando coisas em uma casa e tive que me despir diante do primo para provar que eu não estava levando nada. Fui demitida depois disso. Fiquei na rua mesmo, só eu sei o que passei. Amiga, você tem que decidir o que vai fazer. Leve-a para trabalhar com você.
- Trabalhar? Marina, a infeliz nem quer olhar meu filho em casa, para eu economizar o dinheiro da creche. Eu pedi isso pois tá difícil para mim, e ela perguntou quanto que eu pagava na creche, quando eu disse que era 35 dolares a diária dele na creche e ela me disse que não ficaria por menos de 50 dolares, e de graça, nem pensar!
-Minha querida então vai com a sua simpatia, aproveite e coloque umas vassouras atrás da porta, você tem que tentar qualquer coisa.
Dizendo isso foi se levantando para ir embora, morava longe e tinha muita coisa para fazer, além disso o marido já ligara 3 vezes.
Um mês depois o telefone toca. Marina outra vez, desta vez chorando muito. Ela fizera tudo direitinho. Pegara as roupas íntimas as amarrara bem, com nós bem apertados, depois dos sete dias começou a perceber que o primo a olhada de maneira estranha, que a assediava constantemente. No último domingo aproveitara a saída da esposa com o marido de Marina para declarar seu amor e beijá-la a força na cozinha. Infelizmente a prima e o marido voltaram de repente para pegar alguma coisa, e pegara o primo “na boca da botija”
Fora um escândalo. O Marido da Marina pegou uma arma que tinha em casa e ameaçou matar o primo. Assim o primo fora expulso da casa dela, mas a mulher do primo não! O marido de Marina a consolar porque a coitadinha chorava desesperada e precisava de um ombro amigo. E o marido de Marina estava atencioso com ela também, será que era porque a amava ou porque estava com medo de perder o sustento? Nem queria pensar nisto!
A principio ela não entendeu nadinha do que tinha acontecido com o primo. No dia seguinte, no entanto, pegou a prima colocando algumas cuecas na lavanderia, cuecas do seu marido americano, ao pedir explicações a prima disse que quando não tinha tempo para lavar as do ex-marido, já o considerava ex, ele pegava emprestado com o marido de Marina que não se importava. Afinal, a gaveta estava cheia e ele não era muito chegado a banho mesmo!
As prantos Marina terminou dizendo que devia ter se certificado que a cueca era a certa, agora precisava de alguma coisa para quebrar o efeito dessa simpatia maluca pois o primo não parava de ligar, e encontrar um meio de se desfazer da esposa do primo, que agora vivia chorando no ombro de seu marido!
VISITANDO A SOGRA
A casa estava agitada. Deolinda acordara mais cedo, as crianças estavam excitadas corriam de um lado para o outro. É que naquele sábado iriam para a casa da avó. Ela estava completando 50 anos de casada e todos os filhos e netos estavam sendo esperados para o almoço. Era apenas um par de horas de viagem, até o sítio da vovó, que havia mudado recentemente.
Deolinda não a conhecia. Quando morava perto ela nunca fora até sua casa, nem Deolinda na dela, não sabia o que o marido dissera a seu respeito. Ele no entanto durante o ano que passara, ao ser interrogado pela família sobre quem era a mulher que morava em sua casa a qual as crianças estavam chamando de mãe, ele desconversava. Agora finalmente anunciara que ela era sua esposa, e com certeza a família, que não havia ouvido falar do acontecido casamento, e que pensavam que apenas moravam juntos, estavam no mínimo curiosos em saber quem era ela.
Deolinda escolheu a melhor roupa, mirou-se no espelho. Estava um pouco desbotada de sua cor original porque era inverno. Maquiou-se. O marido chegou à porta e ficou admirando. Depois desceu, fiscalizou as crianças uma a uma, havia comprado roupas “decentes” para todos, a menina há muito tempo vestia-se de “menina”, abandonara há muito o macacãozinho original com que aconhecera.
Todos entraram no carro, Deolinda trocara de carro, agora tinha uma bonita van familiar com DVD e tudo mais. Nunca gostava do truck velho do marido. E foram. Felizes como uma família deve ser os meninos comendo e vendo TV. Deolinda não falava muito. Estava super apreensiva. Será que os sogros gostariam dela?
Uma casa grande com varanda onde já estavam sentados alguns dos irmãos do marido. Todos vieram correndo em direção do carro, com certeza curiosos quanto a nova cunhada. Deolinda desceu. Calças jeans bem justa, escolhera porque sabia que eles gostaram de jeans, blusa vermelha colante, botas altíssimas, afinal o marido gostava de botas, cabelos esvoaçantes quase brancos forçadamente lisos, óculos escuros,que completava o visual.
A atenção foi geral os homens admirando e as mulheres murmurando. O marido orgulhoso entrou com ela para apresenta-la aos pais. Tomar um banho de gelo pela manhã seria melhor para Deolinda. O olhar gélido da sogra a fez tremer. Não falou muito, estava quase na hora do almoço, mas não precisava dizer nada. Estava vendo fotos na sala. A sogra puxou uma conversa para parecer simpática, mostrando a Deolinda uma foto. Deolinda entendeu a provocação. Era uma bela mulher ao lado do marido mais novo. A sogra disse-lhe que era a falecida e que ela era muito bonita. Esse era o tipo de mulher que o seu filho costumava gostar antes. “She was beautiful” comentou sem deixar transparecer a raiva que sentia. A sogra parecia feliz.
Uma a uma as criaças de Deolinda foram se aproximando. A sogra deu um olhar de desaprovação a cada uma, limpos demais, organizados demais, polidos demais. “Que aconteceu com essas crianças?” perguntou a avó ao filho mas com os olhos em Deolinda. “Parecem que foram para o exército. Que estão fazendo aos meus netos ?” A pergunta foi para o pai mas os olhos ainda estavam fixos me Deolinda. “ Mãe eles estão felizes com a nova mãe, comem melhor, estudam todos os dias, ela é uma boa mãe.” Foi a resposta do marido. O silêncio era como de velório.
A menorzinha chegou perto de Deolinda para pedir permissão para brincar lá fora, Ouviram Deolinda dizer que teria que trocar de roupa para não estragar a nova, e que todos deveriam fazer o mesmo. Deolinda aproveitou e foi ao carro buscar as roupas para as crianças trocarem. Ela sabia que fora desaprovada, estava nervosa, o marido tenso, eles não sabiam o que fazer.
As crianças se trocaram e correram para a rua, Deolinda aproveitou e foi pegar o presente que trouxera para a sogra. Estava numa bolsa bonita, uma panela de pressão eletrica, custara quase 100 dolares. Entregou com um sorriso, a sogra olhou por cima, viu o que era, colocou de lado e disse “ Não gosto de modernidades”. “A que se referiria ela? A ela, Deolinda, ou a panela?” pensou Deolinda.
Deolinda olhou aos outros quatro irmãos do marido. Dois homens parecidos com o que o marido havia sido há um ano atrás. Alguns moravam em sítio também. Os dois mascando palitos, hábito familiar com certeza, Deolinda olhou novamente as cunhadas. Gordas, acabadas, toda com um monte de filhos, Ninguém preocupado com a aparência. Todos os filhos encardidos correndo de um lado para o outro, só então notou que “suas crianças” estavam mais educadas mesmo porque não faziam tanta bagunça.
Chegou a hora do almoço, todos vieram a mesa, a sogra havia armado uma mesa com quase 20 lugares na varanda em frente ao backyard, uma lareira esquentava o local. Todos sentados o marido puxou a conversa. Deolinda pediu que colocasse arroz para ela com salada, pediu em português, estava tão nervosa que nem se lembrou deste detalhe, o marido atendeu e disse em português “ Você estar bem. No preocupar. Você estar bonita.” “ Mon bonita” repetiu a menorzinha.
A sogra explodiu. O que estariam dizendo em código secreto? Não ela não admitiria qualquer conversasão estranha a mesa. Foi logo dizendo que não queria ouvir espanol em minha casa, que não falassem outra língua e que não ensinasse outra língua para os netos. E que se tivessem mais filhos, nunca ousasse ensiná-los outra língua!
Deolinda levantou-se, o sangue subiu a cabeça.
-“ I am not spanish . I am Brazilian. Is Chic. is Chic falar another lingua.” O nervosismo a fizera tropeçar.
- “ Chicken? I am chicken? YOU CALL ME CHICKEN?”
A confusão foi estabelecida, a filha do outro lado da mesa xingou Deolinda de algo que ela não entendeu. A velha chorava, o outro filho fez um sinal que queria agredir Deolinda.Ninguém se entendia mais. Todos falavam juntos os irmãos irmãs cunhadas todos reprovando o que Deolinda falara. Menos o marido é claro que não falava nada mas não entendera nada do que acontecera.
-“ Do something!” a sogra exigiu do filho atitude. O marido estava procurando uma saída. “ Quero ir embora agora disse Deolinda ao seu ouvido” . Ele entendeu, estava bom entendedor, principalmente quando Deolinda estava nervosa.
-“ Crianças vamos embora!” E os meninos entenderam a voz, a ordem dada em português também, todos se levantaram, e correram para o carro.
Sob os comentários “ essa mulher é um general”, “ como ousa xingar nossa mãe”, Deolinda se levantou sem despedir-se pegou suas coisas e ligou o carro. Iria dirigir para ter certeza que iriam embora. O marido demorava-se mais um pouco tentando explicar o que não entendera. Ela buzinou. “ Você vem ou não vem?” E é claro que entre ficar com a mãe e irmãos e seguir a paixão de sua vida ele escolheu a segunda opção.
Haviam rodado mais de uma hora quando ele se arriscou a dizer que eles não haviam sido simpáticos com ela, mas não havia entendido porque chamara sua mãe de chicken.
-Chic falou Deolinda, not chiquen. Chic é in Franch. Quero dizer is chic speack another language. Chic é bonito, elegante, fino….
Ele se calou. “Galinha em português é uma mulher elegante e fina. E fina é magra pensava, mas não entendera bem, porque sua mãe , que estava acima do peso, nem era elegante. OK melhor não perguntar mais não queria chatear esta mulher complicada com quem queria passar o resto de sua vida.
Deolinda não a conhecia. Quando morava perto ela nunca fora até sua casa, nem Deolinda na dela, não sabia o que o marido dissera a seu respeito. Ele no entanto durante o ano que passara, ao ser interrogado pela família sobre quem era a mulher que morava em sua casa a qual as crianças estavam chamando de mãe, ele desconversava. Agora finalmente anunciara que ela era sua esposa, e com certeza a família, que não havia ouvido falar do acontecido casamento, e que pensavam que apenas moravam juntos, estavam no mínimo curiosos em saber quem era ela.
Deolinda escolheu a melhor roupa, mirou-se no espelho. Estava um pouco desbotada de sua cor original porque era inverno. Maquiou-se. O marido chegou à porta e ficou admirando. Depois desceu, fiscalizou as crianças uma a uma, havia comprado roupas “decentes” para todos, a menina há muito tempo vestia-se de “menina”, abandonara há muito o macacãozinho original com que aconhecera.
Todos entraram no carro, Deolinda trocara de carro, agora tinha uma bonita van familiar com DVD e tudo mais. Nunca gostava do truck velho do marido. E foram. Felizes como uma família deve ser os meninos comendo e vendo TV. Deolinda não falava muito. Estava super apreensiva. Será que os sogros gostariam dela?
Uma casa grande com varanda onde já estavam sentados alguns dos irmãos do marido. Todos vieram correndo em direção do carro, com certeza curiosos quanto a nova cunhada. Deolinda desceu. Calças jeans bem justa, escolhera porque sabia que eles gostaram de jeans, blusa vermelha colante, botas altíssimas, afinal o marido gostava de botas, cabelos esvoaçantes quase brancos forçadamente lisos, óculos escuros,que completava o visual.
A atenção foi geral os homens admirando e as mulheres murmurando. O marido orgulhoso entrou com ela para apresenta-la aos pais. Tomar um banho de gelo pela manhã seria melhor para Deolinda. O olhar gélido da sogra a fez tremer. Não falou muito, estava quase na hora do almoço, mas não precisava dizer nada. Estava vendo fotos na sala. A sogra puxou uma conversa para parecer simpática, mostrando a Deolinda uma foto. Deolinda entendeu a provocação. Era uma bela mulher ao lado do marido mais novo. A sogra disse-lhe que era a falecida e que ela era muito bonita. Esse era o tipo de mulher que o seu filho costumava gostar antes. “She was beautiful” comentou sem deixar transparecer a raiva que sentia. A sogra parecia feliz.
Uma a uma as criaças de Deolinda foram se aproximando. A sogra deu um olhar de desaprovação a cada uma, limpos demais, organizados demais, polidos demais. “Que aconteceu com essas crianças?” perguntou a avó ao filho mas com os olhos em Deolinda. “Parecem que foram para o exército. Que estão fazendo aos meus netos ?” A pergunta foi para o pai mas os olhos ainda estavam fixos me Deolinda. “ Mãe eles estão felizes com a nova mãe, comem melhor, estudam todos os dias, ela é uma boa mãe.” Foi a resposta do marido. O silêncio era como de velório.
A menorzinha chegou perto de Deolinda para pedir permissão para brincar lá fora, Ouviram Deolinda dizer que teria que trocar de roupa para não estragar a nova, e que todos deveriam fazer o mesmo. Deolinda aproveitou e foi ao carro buscar as roupas para as crianças trocarem. Ela sabia que fora desaprovada, estava nervosa, o marido tenso, eles não sabiam o que fazer.
As crianças se trocaram e correram para a rua, Deolinda aproveitou e foi pegar o presente que trouxera para a sogra. Estava numa bolsa bonita, uma panela de pressão eletrica, custara quase 100 dolares. Entregou com um sorriso, a sogra olhou por cima, viu o que era, colocou de lado e disse “ Não gosto de modernidades”. “A que se referiria ela? A ela, Deolinda, ou a panela?” pensou Deolinda.
Deolinda olhou aos outros quatro irmãos do marido. Dois homens parecidos com o que o marido havia sido há um ano atrás. Alguns moravam em sítio também. Os dois mascando palitos, hábito familiar com certeza, Deolinda olhou novamente as cunhadas. Gordas, acabadas, toda com um monte de filhos, Ninguém preocupado com a aparência. Todos os filhos encardidos correndo de um lado para o outro, só então notou que “suas crianças” estavam mais educadas mesmo porque não faziam tanta bagunça.
Chegou a hora do almoço, todos vieram a mesa, a sogra havia armado uma mesa com quase 20 lugares na varanda em frente ao backyard, uma lareira esquentava o local. Todos sentados o marido puxou a conversa. Deolinda pediu que colocasse arroz para ela com salada, pediu em português, estava tão nervosa que nem se lembrou deste detalhe, o marido atendeu e disse em português “ Você estar bem. No preocupar. Você estar bonita.” “ Mon bonita” repetiu a menorzinha.
A sogra explodiu. O que estariam dizendo em código secreto? Não ela não admitiria qualquer conversasão estranha a mesa. Foi logo dizendo que não queria ouvir espanol em minha casa, que não falassem outra língua e que não ensinasse outra língua para os netos. E que se tivessem mais filhos, nunca ousasse ensiná-los outra língua!
Deolinda levantou-se, o sangue subiu a cabeça.
-“ I am not spanish . I am Brazilian. Is Chic. is Chic falar another lingua.” O nervosismo a fizera tropeçar.
- “ Chicken? I am chicken? YOU CALL ME CHICKEN?”
A confusão foi estabelecida, a filha do outro lado da mesa xingou Deolinda de algo que ela não entendeu. A velha chorava, o outro filho fez um sinal que queria agredir Deolinda.Ninguém se entendia mais. Todos falavam juntos os irmãos irmãs cunhadas todos reprovando o que Deolinda falara. Menos o marido é claro que não falava nada mas não entendera nada do que acontecera.
-“ Do something!” a sogra exigiu do filho atitude. O marido estava procurando uma saída. “ Quero ir embora agora disse Deolinda ao seu ouvido” . Ele entendeu, estava bom entendedor, principalmente quando Deolinda estava nervosa.
-“ Crianças vamos embora!” E os meninos entenderam a voz, a ordem dada em português também, todos se levantaram, e correram para o carro.
Sob os comentários “ essa mulher é um general”, “ como ousa xingar nossa mãe”, Deolinda se levantou sem despedir-se pegou suas coisas e ligou o carro. Iria dirigir para ter certeza que iriam embora. O marido demorava-se mais um pouco tentando explicar o que não entendera. Ela buzinou. “ Você vem ou não vem?” E é claro que entre ficar com a mãe e irmãos e seguir a paixão de sua vida ele escolheu a segunda opção.
Haviam rodado mais de uma hora quando ele se arriscou a dizer que eles não haviam sido simpáticos com ela, mas não havia entendido porque chamara sua mãe de chicken.
-Chic falou Deolinda, not chiquen. Chic é in Franch. Quero dizer is chic speack another language. Chic é bonito, elegante, fino….
Ele se calou. “Galinha em português é uma mulher elegante e fina. E fina é magra pensava, mas não entendera bem, porque sua mãe , que estava acima do peso, nem era elegante. OK melhor não perguntar mais não queria chatear esta mulher complicada com quem queria passar o resto de sua vida.
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