“ O que fazer com minha a minha mãe hoje?” Era o problema constante de Deolinda. Em casa ela já provara ser um problema, resolveu então que deveria mandá-la passear com o marido e as crianças. Ouvira dizer que ao lado do Georgia Dome havia uma exposição, assim enviou a mãe, marido e as crianças para lá.
Foram no dia seguinte, as crianças estavam agitadas com o passeio, pois é claro quase não saiam quase nunca. Chegando lá a mãe de Deolinda pediu para ir ao banheiro, o marido e as crianças ficaram esperando, as crianças descobriram uma escada rolante e como era bom andar nela, assim ficaram subindo e descendo na escada. A mãe voltou, procurou as crianças, só viu o genro sentado tranquilamente mastigando um palito como sempre, as crianças estavam chegando pela a escada. O genro se levantou e se dirigiu a escada, as crianças o seguiram, a mãe de Deolinda era a última, e simplesmente impacou no alto da escada rolante, nunca conseguira andar em uma, mesmo quando ia ao Rio. O genro e as crianças, desceram , continuaram a caminhada pela exposição, não perceberam o desespero da mãe de Deolinda, que com as duas mãos no início da escada levava o pé e tirava para desespero dos que estavam atrás dela querendo descer. A fila foi se formando todos falando alguma coisa para ela, que infelizmente estava petrificada no alto da escada.
Neste momento o genro olhou para traz, porque percebeu que estava muito silencio a sua volta. Logo percebeu o que acontecera. Voltou correndo e subiu correndo pelo lado que descia, chegou rapidamente no alto onde estava a sogra. Ao chegar no topo tirou-a da escada e a levou para o lado. Ela estava gelada. O genro não sabia o que fazer. Esperou alguns minutos para a fila terminar, ai lembrou dos cinco meninos que corriam no meio da multidão lá embaixo. Agarrou a sogra pelo braço e a levou para descer de novo. A escada comum ficava longe demais e em pouco tempo não saberia mais onde estaria as crianças. “ Uno, dosss, tresss...” tentou empurrar a sogra para o primeiro degrau. Os meninos desapareciam na multidão. A sogra não se moveu estava agarrada na lateral, contou de novo, nada... Agora viu a menorzinha sumir atras de um quiosque. A situação era de emergência, ele tirou as mãos da sogra, segurou firme , contou até tres e a empurrou com força para primeiro degrau.
A sogra, num gesto desesperado como as pessoas que estão se afogando, agarrou o genro e o levou de escada abaixo, foram segundos de pernas e braços girando, completados com um grande final : uma ponta de saia da sogra que agarrou nos dentes da escada rolante, no último degrau. O genro se levantou e tentou levantá-la, ao fazê-lo percebeu que a sogra estava presa. Que fazer ? Algumas pessoas que tinham descido enquanto a escada funcionava passaram pela lateral, o genro colocou a mão na cabeça! E agora? Até dos filhos se esqueceu.
Enquanto isso as crianças já haviam desaparecido na multidão há muito tempo! O maior tentara liderar a tropa mas os do meio aproveitavam o momento de liberdade, para correrem e brincararem à vontade. O mais velho percebeu que se ficasse ali parado iria perder o melhor da festa, assim segurando a mão da menorzinha, ia de barraquinha em barraquinha pedindo lembranças, principalmente canetas e balas. As pessoas davam para a irmãzinha, e ele muito feliz recebia também. Arranjaram uma sacola e se sentiam o máximo! Os outros estavam cada um por si, um achou um cantor vendendo Cds, pegou um microfone e fez uma dupla com ele, outro encontrou um local onde vendiam livros e alguém distribuindo uns carimbos pequenos de animais para as crianças, entrou na fila várias vezes e conseguiu meia dúzia deles. Depois foi para um cantinho experimentá-los, como não tinha papel, carimbou braços e pernas mesmo. Outro encontrou um local onde faziam exames de saúde pelo computador. Respondeu várias vezes da mesma forma so para ver a impressora funcionar. Saiu de lá com vários papeis com o cálculo de como era saudável. De vez em quando se esbarravam, e era um contando para o outro onde é que estava o melhor da festa.
Enquanto isso a mãe de Deolinda continuara presa na escada, sentado no último degrau. Os seguranças já haviam chegado, ninguém sabia o que fazer. Até que um deles arranjou uma tesoura, mas ao se aproximar da velhinha, esta não permitiu que cortasse a saia de modo nenhum! O tempo ia passando, o genro impaciente, a mãe não permitindo os homens com a tesoura cortarem a saia, até que o genro impaciente deu-lhe um puxão e a levantou a força, a parte trazeira da saia ficou no degrau, e a mãe de Deolinda agora, chorava , envergonhada da situação. O genro rapidamente tirou a camisa e deu para a sogra, mas agora era ele quem estava com o problema pois os seguranças não o queriam sem camisa no local, e por mais que se explicasse, e eles vissem o que acontecera, lei era lei, ninguém sem camisa no local, e o foram empurrando para fora. Então ele lembrou das crianças, virou para a sogra e disse “ sorry” e arrancou de novo a camisa da pobrezinha que procurou um banco para sentar-se. Os seguranças pararam de empurraá-lo para fora, olharam para a velhinha sentada no banco, não sabiam como fazer para lidar com aquela nova situação pois o manual dizia “sem camisa não pode, mas não dizia nada sobre sem a saia ou a metade da saia ”. O genro aproveitou para dizer para a sogra “ my children” e ela permaneceu sentadinha sem saber o que fazer.
Demorou mais de duas horas para encontrar todos os meninos que se divertiam na feira. Haviam comido todas as provas de comidas regionais que puderam conseguir, estavam cansados e felizes. Quando conseguiu reuni-los, voltou onde a sogra que ainda sentada chorando sozinha. Tirou a camisa, os seguranças voltaram, mas desta vez ele não se preocupou pois estava indo embora mesmo.
Bem ao chegarem em casa a mãe foi direto chorar com Deolinda, contar sobre a estupidez do marido dela, as crianças passaram a noite se revesando no banheiro de tanto comer provinhas de comida, e o marido, virou-se para o outro lado da cama e perguntou. “ Quando é que ela vai embora?”
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