O CASO DA CUECA
O telefone toca. Era Marina.
- O que aconteceu?
-Tem um tempinho para me ouvir? Preciso de sua ajuda. Por favor, me encontre hoje a tarde na “nossa” loja brasileira.
Naquela tarde as duas se encontraram. Depois de alguns pães de queijo e guaraná Deolinda ficou sabendo o problema de sua amiga. É que um primo viera do Brasil. Ele e a esposa estavam já instalados por mais de um mês na casa de Marina. Era um tipo folgado, que não gostava de trabalhar, e que nunca conhecera dificuldades no Brasil, Pai funcionário de Banco do Brasil, e mãe fiscal de rendas. O infeliz nunca trabalhara e a mãe o convencera de vir para a América tentar a vida. Na verdade Deolinda chegara a conclusão de que os pais queriam se livrar dele.
Marina também contara que os dois não trabalhavam, porque não sabiam inglês, que estavam fazendo um cursinho a noite que duraria uns dois anos, e que pretendiam trabalhar depois que terminassem o curso. A tia pelo telefone exigia que eles trabalhassem como Marina, só que eles espelhados no esposo americano de Marina, aquele que só vivia doente e desempregado, não queriam fazer nada. Ela então cortara a mesada, e nem assim os dois tomaram jeito, pelo contrário, comiam todo o yogurt do menino, tudo que se comprava ia num segundo. Não havia dinheiro suficiente para nada.
Nesta altura Deolinda ficara exaltada e disse para Marina expulsar os dois. A amiga explicou que não podia fazer isso pois fora os tios que ajudaram a vir para cá, e que ela jamais poderia fazer isso com uma tia que a vida toda ajudara sua mãe no Brasil, que por sinal ela e os irmãos eram pobres, e somente essa tia havia estudado, prestado concurso e vivia bem. Que ela tinha um coração de ouro e ajudava toda a família, mas que infelizmente o filho único era um “estragado”.
Mas não tinha acabado. O primo tipo folgado e bonitão, passava a tarde toda malhando no pequeno ginásio do condomínio, a prima ficava em casa, não gostava de malhar, ficava então com o esposo de Marina, e nas últimas semanas Marina percebera que o esposo não estava mais interessado nela, como antes, que fazer? E os dois estavam fazendo caminhadas toda tarde pelo condomínio, e pior o primo não se importava! Não queria perder o marido porque o amava muito, e é claro, ainda não era cidadã americana.
Depois de Deolinda pensar um pouco disse:
- Minha querida seu problema é sério. Você não pode expulsá-los, e esta seria a solução.
Assim não sei o que te dizer...
- Uma amiga minha Jamaicana, arrematou Marina, disse que conhece uma simpatia que poderia me ajudar. Disse que tenho que pegar uma cueca suja de meu marido e uma calcinha minha, amarrar as duas com nó bem apertado por sete dias. Eu não sei se devo fazer isso.
- Marina, não custa nada tentar. Sinceramente eu realmente só tenho uma coisa a dizer para você, eu os expulsaria sendo filho ou não de minha tia predileta. Pense bem, agora você está sustentando quatro: Marido, filho, primo e esposa do primo, não acha que está passando dos limites? Olha eu vim para cá ficar com uns primos, mas nem de perto me passou pela cabeça fazer o que esses seus primos fazem. Eu trabalhava direto, me escravizaram. Tudo era descontado no meu salário de ajudante, sofri demais, um dia até fui acusada de estar roubando coisas em uma casa e tive que me despir diante do primo para provar que eu não estava levando nada. Fui demitida depois disso. Fiquei na rua mesmo, só eu sei o que passei. Amiga, você tem que decidir o que vai fazer. Leve-a para trabalhar com você.
- Trabalhar? Marina, a infeliz nem quer olhar meu filho em casa, para eu economizar o dinheiro da creche. Eu pedi isso pois tá difícil para mim, e ela perguntou quanto que eu pagava na creche, quando eu disse que era 35 dolares a diária dele na creche e ela me disse que não ficaria por menos de 50 dolares, e de graça, nem pensar!
-Minha querida então vai com a sua simpatia, aproveite e coloque umas vassouras atrás da porta, você tem que tentar qualquer coisa.
Dizendo isso foi se levantando para ir embora, morava longe e tinha muita coisa para fazer, além disso o marido já ligara 3 vezes.
Um mês depois o telefone toca. Marina outra vez, desta vez chorando muito. Ela fizera tudo direitinho. Pegara as roupas íntimas as amarrara bem, com nós bem apertados, depois dos sete dias começou a perceber que o primo a olhada de maneira estranha, que a assediava constantemente. No último domingo aproveitara a saída da esposa com o marido de Marina para declarar seu amor e beijá-la a força na cozinha. Infelizmente a prima e o marido voltaram de repente para pegar alguma coisa, e pegara o primo “na boca da botija”
Fora um escândalo. O Marido da Marina pegou uma arma que tinha em casa e ameaçou matar o primo. Assim o primo fora expulso da casa dela, mas a mulher do primo não! O marido de Marina a consolar porque a coitadinha chorava desesperada e precisava de um ombro amigo. E o marido de Marina estava atencioso com ela também, será que era porque a amava ou porque estava com medo de perder o sustento? Nem queria pensar nisto!
A principio ela não entendeu nadinha do que tinha acontecido com o primo. No dia seguinte, no entanto, pegou a prima colocando algumas cuecas na lavanderia, cuecas do seu marido americano, ao pedir explicações a prima disse que quando não tinha tempo para lavar as do ex-marido, já o considerava ex, ele pegava emprestado com o marido de Marina que não se importava. Afinal, a gaveta estava cheia e ele não era muito chegado a banho mesmo!
As prantos Marina terminou dizendo que devia ter se certificado que a cueca era a certa, agora precisava de alguma coisa para quebrar o efeito dessa simpatia maluca pois o primo não parava de ligar, e encontrar um meio de se desfazer da esposa do primo, que agora vivia chorando no ombro de seu marido!
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