Se com coração decidimos coisas que nos dá alegriaCom a razão descobrimos coisas que nos dá felicidade
Se com coração vivemos momentos de muita adrenalinaCom a razão vivemos em paz de espírito
Se o coração nos dá momentos inesquecíveis
A razão nos dá momentos eternos
O coração nos fará viver o fogo de uma grande paixão E a paixão é como algo que nos devora, nos tira da rotina,como rio caudaloso cujas vagas transborda
dando a impressão de se morrer e viver a cada instante
E a razão pode nos levar a um amor tranquilo.
Esse nos faz ficar felizes com o que temos,
Nos faz descer pelo rio da vida, calmos. Serenos. Tranquilos.
Uns ficam com a razão, se sentem mais seguros,
Outros com o coração com seus caminhos tortuosos,
Com suas razões que a própria razão não conhece.
Deolinda estava desconcertada. O que era aquilo que sentia por “aquele homem” horrrivel? Naquela manhã estava especialmente enojada. É que havia entrado no banheiro de repente e pego o “marido” mordendo a camiseta para mantê-la suspensa, segurando uma foto dela numa mão e se preparando para alguma coisa. Nem queria pensar sobre isso!
-A culpa é sua. Falou Lurdinha, onde já se viu casar-se de brincadeira? Esse pobre homem deve amar você muito, tá na hora de acabar com esse absurdo Deolinda!
-Ele é deprimente, se veste mal, tem um cabelo encebado sem brilho, sempre mascando aqueles palitos de dente, com a camisa sempre aberta mais do que se deve! Disse Deolinda.
-Deolinda, do Jeito que você o descreve... sei não! Você ama esse homem, e você nem sabe!
-Lá vem você! Conselhos de novo Lurdinha?
-Eu assisti uma palestra na minha igreja para solteiros, falando sobre o amor- continuou Lurdinha sem se importar, uma coisa bem interessante... acho que é o seu caso.
-Tá bom me conta o que ele falou vou ver se ele tem razão ou não.
-Bem ele falou que ninguém ama outra pessoa porque é certinha, porque se fosse assim, os inteligentes, religiosos, não fumantes, trabalhadores e honestos teriam uma fila de pretendentes. Você vê que sou certinha em tudo, faço tudo isso e ainda estou sozinha. As pessoas amam porque gostam do cheiro, da voz, de um tic nervoso, da maneira de andar. Eu acho que você está apaixonada pelo palito de dente mastigado e pelos cabelos encebados mais que imagina.
-Credo Lurdinha! Detesto sujeira! Detesto gente porca! Mas vamos mudar de assunto, isso já está me cansando!
-Ok, mas não diga que avisei. Ele também ama essa Deolinda teimosa demais para entende-lo. Pense porque e iria ficar pegando foto sua para, você sabe o que! Sua culpa! Sua culpa! Pobre homem!
Deolinda ficou pensativa, a visão da manhã a assustara tremendamente, mas falando a verdade para ela mesmo, aqueles cabelos sem brilhos, aquele riso de meia-boca com o palito na outra metade a fazia tremer por dentro, “Seja forte Deolinda” ela sempre pensava quando isso lhe acontecia.
No outro dia, Lurdinha apareceu com outra novidade, é que iria haver um jantar de “Valentines” na sua igreja , e a venda dos ingressos iria para o Haiti. Ela trouxera dois ingressos para Deolinda ajudar na campanha. Deolinda disse que iria colaborar mas que não iria a festa, ela não queria de modo nenhum ir a festa romântica com “aquele homem”. Lurdinha só comentou que seria uma ótima oportunidade para se acertarem.
Deolinda passou o dia silenciosa. Ela até gostaria de ir, pensava. Gostaria sim, mas como fazer? Já desfizera tanto do marido como iria dar uma bandeira dessa? A caminho de casa lembrou de ligar para Marina . Perguntou como ia a vida, o filho, o marido. Esta contou o mesmo de sempre, o filho estava bem, ela estava trabalhando muito e o marido continuava desempregado, no último emprego que arrumara “torcera a coluna” e agora o pobrezinho sofria demais! Ela estava cuidando da família.
Deolinda confessou a amiga que desejava ir numa festa de Valentines Day, só para ver como é que era, mas que não tinha coragem de chamar o “marido” e lá só entraria pessoas acompanhadas, será que ela,Marina, não aceitaria ir com ela? Ela compraria mais dois convites . Só tinha um exigência: O marido de Marina, que era primo do marido de Deolinda, tinha que convidá-lo para ir a tal festa, tudo teria que parecer natural, teria que parecer que ela e o marido eram os que estavam convidando, e que ela Deolinda, não estava envolvida no processo.
Marina era muito boa em dissimulação, assim aceitou o convite. No outro dia disse ao marido que tinha uma festa brasileira para eles irem, e que ela tinha quatro convites e queria que ele chamasse o primo e Deolinda. O resto correu tudo bem. O marido de Marina adorava boca-livre com comida brasileira, rever o primo, nem se fala!
Deolinda recebeu com surpresa o convite do marido, que insistia para que fosse, após se fazer um pouco de difícil, aceitou o convite.
O “marido” ficou radiante, ele também não sabia porque gostava daquela mulherzinha difícil de entender, a língua e o comportamento. Providenciou a retirada das crianças da casa no dia do jantar, comprou flores no Wall Mart mais próximo, estava radiante no dia da festa. Deolinda fingia má vontade, mas por dentro o coração estava como de uma adolescente, tudo tinha dado certo...
A festa estava muito boa, a comida uma maravilha, então chegou a hora das declarações de amor lidas por um locutor de voz macia. Deolinda pegou um papel e não sabia o que escrever. Escreveu uma mensagem anônima. “I think I like you, but do not use my photo again.”
Por sua vez o “ maridão “ escrevia e escrevia. Quando terminou entregou o papel sorrindo e esperou.
Bem naquela noite alguma coisa aconteceu, havia música no ar. Aqueles braços fortes, sorriso meio aberto, e cabelos sem brilho, entrou em casa feliz, com Deolinda nos braços subindo as escadas como deveria ser na primeira noite. As lindas palavras do recado ainda ecoavam em sua cabeça:
“I love you kda vess mass. My koration bat fort if eu ver photo sua. I love komida sua: may one easy com paul me too ser excellent! Ate a car need boy ter sabor melhor. My life ter mais sabor com voce. I Love you. Want casar com eu ?”
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