quinta-feira, 25 de junho de 2009

A POMBA DA PAZ

Uma bala perdida acertou a Pomba da Paz que passava sobre a Marietta, mais precisamente sobre o Triângulo dos Brazukas, que é um triângulo imaginário que se pode traçar do Wood Chase até o Signature, deste até o Conception, e deste novamente ao Wood Chase. Ela não morreu, estendeu-se agonizante no alto de um dos prédios, no mais conceituado condomínio dos Brazukas, o Wood, na última rua, onde a turma do churrasco e samba costuma fazer altas festas verde-amarelas.
Alguém sugeriu, que sendo um condomínio predominantemente, brazuka, era melhor chamar a Polícia Especial para Persona Non- grata.
Cercaram o Wood no início da madrugada. Após muitos tiros e confusão em nome da Paz, uma outra bala perdida acertou uma house cleaner que voltava cansada, meio acordada, meio dormindo de fazer seus “ ofices”. Outro brazuka, Sr José, Piracajubence nato, dormia em seu apartamento com a porta aberta, pois sempre acreditara que a América era um lugar seguro, quando foi sacudido por um sujeito alto, negro, que o virou de ponta cabeça e foi logo acusando-o de ter cometido o crime. Tentou falar algumas palavras que aprendera no cursinho da igreja, descobriu que não lembrava de nenhuma mais! Com muito custo conseguiu balbucinar um Rau ar iu, o negão não gostou, achou que era desacato e levou-o algemado para o carro de polícia.
Logo que a Polícia para Personas Non-gratas chegou, foi uma correria geral.
-É a Tia Mimi! Apelido carinhoso dado pelos Brazukas a este importante destacamento do Governo. A coisa ficou preta pessoal. Os que estavam dentro avisavam os que estavam fora:
-Não volte! Tia Mimi tá na área! E a brazukada se espalhou por todos os lados.
Os da Tia Mimi, deram um sacode em meia dúzia que ousaram tentar sair no fim da madrugada. Eles até alegaram que eram gente de bem, trabalhadores, saidistas, rouseclinistas, e outros istas mas não adiantou. Para eles eram alguns ilegais que cruzaram o caminho, e que estavam saindo para arrumar um troco, roubando emprego de seus filhos.
O dia já chegava para os moradores do Wood, que não dormiram. Alguns resolveram dar uma espiadinha. Os da Tia Mimi nem sabiam mais ao certo porque estavam lá. Foram perguntar e alguém da luz azul e este falou da pomba. “ Ah! a Pomba! Então existia um álibe desta vez para o cerco.” Continuaram a interceptar as pessoas que saíam.
Algemaram alguns, correram atrás de outro que resolveu fugir, mas o Brazuka era um dos bons, daqueles que atravessaram o deserto sem água , que foram picados de cobras e não morreram, mesmo magrelo, com cara de desnutrido, sumiu depois de ter saltado três ou quatro cercas. Um outro conseguiu escalar o alto do prédio, foi perseguido por um sujeito comedor de hot dog, e ficou provado que feijão com arroz, dá mais força e agilidade que pão com salsicha.
O FBI chegou logo após o meio dia, e mais uma vez tudo se repetiu. Só que desta vez os Brazukas , colocaram um “avião” no condomínio, tipo aqueles moleques usados nas favelas do Rio, e este os avisara a tempo.
O Wood estava em alerta:
_Não sabemos o que querem, ninguém nos conta nada a respeito desta operação, alguém opinou que era por causa do samba e churrascada da última rua.
- Vamos eleger um líder, todos nós temos que ficar em estado de alerta. Ninguém come, ninguém bebe, ninguém sai de seus postos... Não comer era fácil, mas lei seca para a turma do churrasco era o fim!
Todo o Wood estava angustiado. O FBI foi recebido com um silêncio mortal. E naquela tarde, além de um espanador de D. Zezé ser confundido com um terrorista, e ter sido estraçalhado por uma bala, nada de mais importante aconteceu. O FBI afirmara que era bala dos Brazukas, e os Brazukas finalmente , conseguiram enviar uma mensagem para alguém de fora e a Anistia Internacional ficou sabendo, e denunciaram a Tia Mimi dizendo que eles estavam agindo com violência demais... afinal o que queriam?
A pomba mesmo, agonizava , ao lado de algumas crianças brazukas e hispanas que se acotovelavam no sótão daquele último prédio, na última rua, aquela das churrascadas. Esquecidas e longe de qualquer suspeitas já estavam ficando cansadas de ficarem acantonadas, quando é que iriam comer?
Os Federais não deram refresco: Atacariam ao romper da manhã seguinte.
_Um terrorista subversivo se escondeu no alto de um dos prédios, ao que parece o mesmo seqüestrou a Pomba da Paz. Nossa missão, ir resgatá-la.
_Sim Senhor! Gritaram todos animados com a manobra.
Então subiram pela Powers Ferry.
Subiram homens.
Subiram cães.
Subiram tanques.
Subiram helicópteros com pára-quedistas.
O Wood ficou cercado.
Encontraram o prédio.
Viram as penas.
Viram o sangue.
Viram algumas crianças fugindo.
Mas a pomba não estava lá.
É que as crianças, fiéis a ordem dos pais, não haviam deixado o sótão por mais de vinte e quatro horas. Então famintas, na noite anterior, acabaram comendo o símbolo da Paz!

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